Cem anos de Sophia

Em comemorações do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, transcrevo as palavras lindamente contadas e que me parecem ser o seu retrato.
"Com as mãos tocando a parede branca, Joana respirou docemente. Era ali o seu reino, ali na paz da contemplação noturna. Da ordem e do silêncio do universo erguia-se uma infinita liberdade. Ela respirava essa liberdade que era a lei da sua vida, o alimento do seu ser.
A paz que a cercava era aberta e transparente.
A forma das coisas era uma grafia, uma escrita. Uma escrita que ela não entendia mas reconhecia.
Atravessou a sala e debruçou-se na janela aberta em frente do puro instante azul da noite.
As estrelas brilhavam, íntimas e distantes. E pareceu-lhe que entre ela e a casa e as estrelas fora estabelecida desde sempre uma aliança. Era como se o peso da sua consciência fosse necessário ao equilíbrio das constelações, como se uma intensa unidade atravessasse o universo inteiro."
Histórias da Terra e do Mar: o Silêncio
Sophia de Mello Breyner Andresen

Não sendo a poesia o que mais me fascina,(creio ser uma coisa muito pessoal, que por vezes não é entendível por terceiros) ontem vi um documentário sobre a poetisa, e não gostei de a ouvir declamar, gosto mais de a ler.
ResponderEliminarConheço a poesia é muito límpida, mas as obras ficcionadas da Sophia são mais encantadoras.
ResponderEliminarObrigada imsilva por comentares.
Bjs
Também gosto muito de Sophia, do encanto da sua escrita.
ResponderEliminarParabéns pelo blog, está muito distinto
Paula ramos
Belo desenho e bonita transcrição, parece mesmo que se descreve a si própria.
ResponderEliminarRui Vieira JR
Obrigada Rui. Também me parece que Sophia se autodescreve nesta passagem.
ResponderEliminarBjs
Obrigada Paula por comentar.
ResponderEliminarBjs
Adoro a escrito de Sophia de Mello Breyner!!!
ResponderEliminarGrata por nos trazer estas palavras maravilhosas!
Beijinhos
Resto de um Dia Feliz
Eu é que agradeço a visita!
ResponderEliminarBjs