Ponto a Ponto se une um Conto

Hoje inicio a publicação do conto Histórias de uma Árvore. Como já devem ter reparado gosto muito dos temas relacionados com a Natureza, ela permite-nos essa liberdade, essa serenidade e esses reencontros connosco que tanto desejamos. Inspiro-me e tento trazer um pouco daquelas sensações que sinto ao emergir nela nas minhas caminhadas, baseando-me nas tradições e nos contos populares. Para além da escrita também gosto de ilustrar todo este mundo imaginário onde decorrem estas simples histórias.
Espero que gostem do conto que a partir de hoje partilho, e conto com os vossos bem-vindos comentários.
Mais uma vez agradeço a vossa amizade!
Bjs![]()
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Histórias de uma Árvore
Os campos anunciavam em pleno a chegada da Primavera. As árvores de fruto enfeitadas por efémeras flores, espreguiçavam-se vaidosas exibindo as cabeleiras brancas e rosadas que as abelhas e abelhões tentavam provar. As aves migratórias regressavam em bandos, anunciando o novo ciclo. A Natureza ganhava cor, energia e fôlego para dias mais longos e aprazíveis. Os perfumes florais dispersavam-se no ar, como armadilhas cativantes para os insetos.
Naquele final de tarde, quando os passaritos se recolhem e chilreiam intensamente por entre as árvores, quando os odores das flores e das ervas acariciadas pelo sol primaveril se libertam, ela olha em volta e suspira! Todos se entreolham… irá falar? Será hoje? Será hoje que ela conversará? Depois sacode a cabeleira recém crescida, de tons de verde claro e volta a suspirar… rumina para si algo impercetível! Mas, mais nada dirá. A passarada desiludida encolhe-se bem pertinho uns dos outros, fecham-se as boas-noites, espreita o luar, cala-se o vento e sussurra a brisa.
A promessa feita há tanto tempo ainda não se cumpriu. Quando chega a Primavera, todos aguardam, acomodam-se à roda da velha árvore, mas ela sempre muda e calada, nada diz, nada revela! “Uma desilusão!” comenta a pêga rabuda. “Uma grande mentirosa, é o que é!” acrescenta a toupeira, todos comentam e aguardam pelo dia que a velha árvore conte histórias!
A noite chega em passos frescos e descalços, sorrateira e bem-vinda pelas corujas e morcegos. Ao longe ouve-se o uivo do chefe lobo! A noite será de lua cheia!
A árvore estala o tronco, os pássaros estremecem, acordados e estremunhados do seu sono breve.
— A Árvore estará bem? – pergunta o pardalito.
— Não sei! Talvez seja da idade! Ouvi dizer que as árvores velhas têm problemas de casca! Que estalam assim sem mais nem menos! – responde a mãe pardal.
— Ahhh! E isso será grave? – volta a questionar a jovem ave.
— Talvez seja! Ela tem muita idade, qual ao certo não sabemos… e ela também não o diz! – respondeu a progenitora encolhendo as asas. – Agora dorme que já são horas!
— Mas porque todos querem ouvir a velha árvore?
— Porque ela sabe coisas que nós não sabemos! Ela vive aqui há muito tempo! Os meus avós diziam que ela cuida de nós se nós também cuidarmos dela!
— E porquê ela cuida de nós? – insistiu mais uma vez a pequena ave, tirando a paciência à progenitora.
— Ela cuida de nós dando-nos abrigo, alimento no final do verão e proteção! Dorme agora! – e bocejou exageradamente para que o filhote se calasse.
O velho Freixo volta a estalar a casca e agita a folhagem, como espreguiçando-se. As aves assustadas e de sonhos interrompidos, agitam-se, ele volta a suspirar e imite um som gutural que deixa todos inquietos, depois adormece embalado pela brisa fresca das noites de março.
Continua

Ó que maravilha Olga, mais um conto que vai prender-me e desejar lê-lo todos os dias.
ResponderEliminarUm beijinho querida e fico ansiosa pelo próximo capítulo!!!
Lurdes
Maravilhoso! Transportei-me para lá. Estou no meio daquelas árvores à direita! Está um dia maravilhoso!😎
ResponderEliminarObrigada Olga por me fazeres sentir tão bem
Beijinhos
Carla
Olá Olga
ResponderEliminarGostei imenso da tua história e do teu desenho são maravilhosos
Obrigada por partilhares estes teus dons
Um beijo em teu coração
Rita Soares
Olá Lurdes!
ResponderEliminarObrigada por ser uma leitora assídua neste blog.
Bjs
Olá Carla!
ResponderEliminarGrata pelo comentário maravilhoso. De facto, também estava lá tão bem...acho que te vi!
Bjs
Obrigada Rita pela simpatia, fico a aguardar o seu retorno.
ResponderEliminarBjs
Fiquei com curiosidade para saber o que se vai passar!
ResponderEliminarDescrições bonitas até consigo imaginar! Teve piada o comentário da Carla
Abraço
Rui👍🏻
Olá
ResponderEliminarFui atraída para este blogue por este lindo desenho, depois como aguçou a curiosidade li o episódio e depois ainda li os outros contos, gostei muito mesmo
Parabéns pela escrita ternurenta e pela imaginação
Abraço
Alice R. Monteiro
Olá Rui!
ResponderEliminarObrigada e espero mesmo que goste.
Bjs
Olá Alice!
ResponderEliminarAgradeço as suas palavras e por ter lido e gostado do blog. Espero que volte e continue a ler o conto recente.
Bjs
Já li todos e adorei! Fiquei fã da sua escrita! Para quando um livro?
ResponderEliminarBeijinhos e abraços
Joana😘
Bom dia Olga
ResponderEliminarTambém estou a gostar deste, misterioso e ternurento com os animais a falar. Esta semana cá estarei para ler outro episõdio!
Um beijo
Alda
Só hoje vi que tinha partilhado mais um conto
ResponderEliminarEste também promete!🤔
Beijo Lurdes
Uma ilustração e uma escrita encantadora. Parabéns, amei!
ResponderEliminarRosário
Olá Rosário! Grata pela visita e caloroso comentário.
ResponderEliminarBjs
Olá Lurdes Maria!
ResponderEliminarObrigada pela leitura. Esta semana haverá mais...
Bjs
Certíssimo Alda! Conto consigo!
ResponderEliminarBeijinho grande
Olá Joana!
ResponderEliminarMuito obrigada por leres os meus contos, fico muito feliz por gostares!
Um livro quem sabe!?
Bjs e conto contigo esta semana!
Muito lindo amiga ,lindas histórias que nos levam a sonhar e voltar à nossa infância.
ResponderEliminarMuitos parabéns e felicidades.
Belo trabalho!
Bjs
Obrigada Sónia! Fico muito feliz por visitar, ler e comentar no blog. Espero que seja leitora assídua deste cantinho. Quinta-feira há novo episódio do Histórias de uma Árvore.
ResponderEliminarBjs e boa semana
Gostei muito ...espero à continuação ..beijinhos 💕💕💕
ResponderEliminarSe estivéssemos no século passado diria que este é um texto parnasiano.
ResponderEliminarGosto muito destes textos que nos atiram para aessencia da Natureza.
Muito bom. Vou seguir com todo o interesse e aguardar o que o velho freixo terá para dizer.
Obrigada amigo José, sinto-me elogiada pelas suas palavras, no entanto quem me dera ter a capacidade intelectual para fazer prosa inspirada na poesia parnasiana. Aguardarei também pelos seus comentários ao resto do conto.
ResponderEliminarTudo de bom
Bjs