A mensagem

No cimo do caminho estava ela. Envolta na capa de lã, sem um vislumbre de pele ou cabelo. O negrume era a sua cor, envolvendo-a como uma aureola. Estaria assim a sua alma?
A morrinha caia sem cessar há muitos dias, toda a aldeia e prado estavam cobertas por ela e pela neblina que teimava em deixar-se ficar. No alto das serras o gado pastava satisfeito com o descanso, nem viva ’alma se ouvia. Só ela. Caminhara pelo caminho ligeiramente inclinado. Os sons dos seus pequenos passos, sobre o cascalho das pedras, ecoaram de mansinho. Parou no alto sob o carvalho e aguardou que ele chegasse, impávida e sem se mexer tal como uma estátua.
Ele subiu a ladeira, vinha cansado e encharcado pela água mansa que caia dos céus, aqueles céus altos que há muito queria chegar. À medida que dela se aproximava tentava encontrar o seu olhar. Como seriam aqueles olhos? Como seria a sua voz?
— Vens atrasado…
— Ainda é tempo. O ano ainda é o mesmo, senhora.
Ele encantou-se com a voz dela, mas os olhos não os via.
Ela retirou a mão direita sob a capa e com ela vinha um embrulho. Um atavio em linho envolvia algo que se queria proteger da chuva. Ele tomou-o nas mãos molhadas, tentando disfarçar o nervosismo que o tomava.
— Deverás lê-lo à meia-noite! Nem antes nem depois. Compreendes?
Ele assentiu que sim, mas ela insistiu para lhe ouvir a voz consentindo.
— Compreendo sim, senhora.
— Agora a mensagem é tua. Como és o novo ano, cairá sob os teus ombros o destino da aldeia. Deverás ser justo, clemente e compassivo. Mas, que nunca te falte o discernimento e o equilíbrio, porque isto de viver entre os Homens não é fácil e nem te será leve a pena.
Ele elevou para ela o rosto jovem e vislumbrou-lhe o olhar, cintilante como uma estrela e encantador como o mar. Ela fora um ano de boas colheitas, de muitas festividades e de muitos nascimentos. Como seria ele? A mensagem estava entregue, seria lida nessa noite, na transição da hora que medeia o fim de um dia e o começo de outro. No culminar de um ciclo e o principiar de um novo. Ele seria um ano bom? Estremeceu arrepiado, seria do frio ou do invólucro da mensagem que acolheu no seu peito?
Foto: Aldeia de Brufe, Terras de Bouro
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Ou Olga tão bonito, fiquei maravilhada. A tua escrita é encantadora leva-nos para outros tempos e fantasias.
ResponderEliminarAmei está lindo. Um beijo e que tenhas um feliz ano novo😘 Lurdes
ResponderEliminarDia Feliz, Querida Olga!
Que bonito e inspirador!
ResponderEliminarUm feliz e próspero ano.
Enigmático e belo
ResponderEliminarMuito bonito. Que o jovem ano faça bom uso da mensagem. Que seja um bom ano para todos e cada um de nós. Beijinhos, Mana. 💛✨
ResponderEliminarQue o jovem ano faça bom uso da mensagem. Que seja um bom ano para todos e cada um de nós. Beijinhos, Mana. 💛✨
ResponderEliminarA imagem captada na foto, aliada à sua escrita transporta-nos de imediato para dentro da história e torna-se quase real
ResponderEliminarOlá Lurdes,
ResponderEliminarFico muito contente por gostares deste texto, assim como a minha escrita em geral. Grata pelo constante apoio, minha amiga.
Tudo de bom e feliz ano novo
Bjs
Dia feliz para ti, querida MJP.
ResponderEliminarFica bem.
Bjs
Muito obrigada Cheia
ResponderEliminarUm excelente ano novo de 2021
bjs
Obrigada
ResponderEliminarObrigada minha irmã, pelo teu carinho, cuidado e apoio, vindo de ti é uma bênção.
ResponderEliminarBjs
Grata pelo apoio, fico imensamente feliz por saber que aprecia a minha escrita e fotografia.
ResponderEliminarTudo de bom e feliz ano novo
Bjs
Simplesmente, lindo.
ResponderEliminarMuito obrigada pelo apoio.
ResponderEliminarFeliz ano novo de 2021
Bjs
Lindo!!
ResponderEliminarVim aqui parar por acaso, e que belo acaso! Adorei o texto, muito bom mesmo, parabéns.
ResponderEliminarObrigada Francisco pela visita e pelo comentário. Seja bem-vindo.
ResponderEliminarTudo de bom e votos de Feliz Ano Novo de 2021
BJs
Uma imagem que nos transporta e uma escrita que nos conforta! Delícia a forma com desfia as palavras...
ResponderEliminarJames
Obrigada James pelo carinho nas palavras.
ResponderEliminarBjs