Escrita ficcionada

Os muros de granito escondiam dos olhos, dos mais atentos transeuntes, o solar ensolarado que se insinuava numa paisagem rural. As heras que o cobriam cresciam desordenadas sem serem podadas há muito. As pedras centenárias ganhavam musgo viçoso envolvendo-as num tapete fofo e húmido, o cheiro era forte e acre... Jonas, em bicos de pés, espreitava agarrando-se ao muro escorregadio tentando equilibrar-se precariamente numa das pedras salientes do velho paredão.
“Sim senhor, aqui está uma casa senhorial que adorava comprar!” — pensava enquanto tentava abarcar num só olhar as cercanias.
O solar tinha um brasão imponente que encimava a porta principal, a larga escadaria conduzia o olhar para ele. Jonas franzia os olhos tentando descortinar as figuras que o compunham, era difícil perceber pois o tempo encarregara-se de o embelezar de líquenes e escurecer os pormenores. O jardim frontal perdia-se de vista, dava a sensação que contornava a casa. Estava em mau estado, não havia flores e as ervas tomaram conta dos canteiros e pérgulas. As árvores que outrora talvez emprestassem ao lugar perfumes, frutos e sombra, pareciam espectros. Um lago surgia tímido no meio do jardim e no centro dele uma estátua de mulher com três faces segurando um enorme livro. Jonas tentou dar a volta ao espaço, mas o terreno pertencente à mansão era abruptamente interrompido por campos baldios e pequenas hortas, o gradeamento enferrujado continuava para o interior tendo o campo como vizinho. A placa "vende-se esta propriedade" estava já um pouco decrépita e passava despercebida, demonstrando que há muito a mansão esperava por ser comprada.
Jonas marcava no telemóvel os números da placa, andando de um lado para o outro no passeio, ansioso que a sua chamada fosse rapidamente atendida. Após alguns segundos passou a mensagem e Jonas aborrecido desligou o telefone. “Bolas!” — praguejou em pensamento, voltou a tentar e o resultado foi o mesmo. Deixara o automóvel perto dali, mas algo o impedia de voltar, sentia-se atraído pelo lugar e revoltava-se por não conseguir que atendessem o seu telefonema. Relutantemente caminhou para o carro, olhando por cima do ombro para a casa e o velho muro que deixava para trás...
Excerto do romance "A Cripta" por Olga Cardoso Pinto
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ResponderEliminarResto de dia Feliz!
ResponderEliminarObrigada minha amiga, para ti também.
Um beijinho grande
Muitos parabéns!
ResponderEliminarFeliz noite!
Interessantíssimo! Se querias agarrar a nossa atenção, conseguiste.
ResponderEliminarOnde está essa "cripta" ?
Beijinhos
Boa semana.
Obrigada Cheia.
ResponderEliminarUm excelente dia para si.
Bjs
Obrigada minha amiga, fico muito contente pelo teu interesse. Esta "Cripta" anda a ser escrita há uns anos, pretendo concluí-la ao longo deste, veremos. Este romance é fruto da minha paixão por casas antigas e as vidas que lá foram passadas.
ResponderEliminarTudo de bom para este dia.
Bjs
Um bom mistério estará a formar-se? Aguardo pelo desenvolvimento querida Olga. Gostei muito deste excerto.
ResponderEliminarBeijo -Lurdes
🌻
Querida Lurdes,
ResponderEliminarFico muito feliz por teres gostado deste pequeno excerto do romance. E sim esta história tem muitos mistérios e acontecimentos estranhos. Inspirado em casas abandonadas e toda a história que ficou por contar.
Obrigada pela visita.
Bjs
Descrição espectacular que nos deixa vontade de ler mais. O romance deverá ser muito interessante, apesar do excerto saber a pouco.
ResponderEliminarParabéns pela qualidade da escrita.
A. Semedo
Obrigada pela visita e pelo apoio à minha escrita. Seja bem-vindo ao blog.
ResponderEliminarTudo de bom.
Bjs
ResponderEliminarMuito bonito, querida Olga, deixa água na boca...
Abraço apertado minha amiga
Beijinhos
Obrigada minha amiga
ResponderEliminarUma excelente semana para ti
Bjs
E o espanto continua pela sua escrita. Que leituras tão gratificantes. Onde posso encontrar os seus livros? Parabéns pelos seus dons Olga.
ResponderEliminarAbraço, A.C.