Branco

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Este desafio termina hoje com a cor branca. Recordo que foi criado pela amiga Fátima Bento, do blog Porque Eu Posso, e que tem feito correr tanta escrita! 


Como gosto de casas antigas, sobretudo aquelas que ficaram esquecidas pelo tempo, hoje escrevo sobre uma muito especial. 


 



 


Perdeste a tua altivez granítica, hoje és senhora decrépita lamentando os anos que por ti passam. As memórias do tempo guardá-las envolvidas na patine das décadas, cobertas pelo cintilar do pó, pelo bordado das teias, do negrume das traves, das madeiras corroídas, do soalho desgastado. Quantas vidas foram desfiadas nessas tuas paredes outrora caiadas, alvas de ser e luz? Quantas histórias contarias se alguém te escutasse? Envolvem-te com adoçado carinho e cor uma nogueira, duas laranjeiras, uma figueira e uma ameixieira. Que mãos as plantaram? Que segredos conta a terra que as viu crescer? Donde vem a água que torna este solo fértil, rico e espontâneo no medrar de todo o verde, pontilhado de amarelo, roxo e branco? As heras crescem ligeiras, ansiando adornar tão melodioso lugar. As rolas arrulham sempre perto de ti, acariciam-te as telhas desgastadas atirando aos céus sonetos de amor.


Dentro das tuas paredes mora o silêncio, a frescura dos dias que guardas para conservar a saudade de quando eras mimada, ruidosa, com música da rádio que agora jaze calado sobre a mesa da cozinha. Quantos odores ficaram suspensos dos cozinhados na lareira de boca larga, escancarada, para receber mais lenha e o pote de três pés.


O espelho, pendurado, ficou ali refletindo para o interior as janelas do varandim que se abrem para o esquecido jardim que, no entanto, continua a crescer rebelde insistindo em renovar-se em cada estação que vês passar. Miras-te nele em cada ano que corre indiferente à tua velhice, quem cuidará de ti? Eu ou um outro eu que me viu entrar? Só o reflexo branco, translúcido na tua parede caiada de branco, agora sujo…


 



Neste desafio participam #OGrupoDosLápisDeCor:


Fátima, A Concha,  A 3ª FaceA Marquesa de MarvilaMaria AraújoPeixe Frito, imsilvaLuísa de SousaMariaAna D., Célia, Charneca em FlorMiss Lollipop, Ana MestreAna de DeusCristina Aveiro, bii yueJoão-Afonso Machado e José da Xã.


 

Comentários

  1. Que texto maravilhoso... Memórias de uma casa outrora feliz e agora tão abandonada

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  2. Essa parede representa quase uma bifurcação na vida do proprietário: segue pela via do conforto e oculta a história, ou segue pela história e aguenta o frio e a humidade?
    Opções muito dificeis, a maior parte das vezes... O granito não é pedra fácil.

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  3. muito especial mesmo uma história agridoce muito bem contada beijinhos e feliz dia

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  4. Fico feliz por teres gostado Miss Lollipop.
    Bjs

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  5. Não é uma pedra fácil, no entanto, é robusta e gosta de mimo.
    Esta parede ficará para a história
    Bjs

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  6. Obrigada querida Ana. Que seja um final de dia muito feliz.
    Bjs

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  7. Uma casa que é um livro de pedra! Mas, quem o saberá ler, se tem tanto para entender!
    Feliz resto de dia!

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  8. Gosto muito do sentimento que nos traz uma casa abandonada, parece que fala e conta histórias, como a bela descrição que nos deste desta.
    Beijinho

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  9. Uma casa de lembranças.. estimo muito este tipo de casas, imenso.
    Beijinhos

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  10. Quantas casas assim conhecemos.
    As histórias que contariam.
    Também sou apaixonado por velhos objectos, daqueles gastos que já foram usados. Todos eles fazem parte de uma história qualquer e que eu gosto de preservar.
    Tento imaginar tantas vezes...
    Bonito texto... Faltou quiçá um desenhito para ilustrar.
    Obrigado pela partilha dos seus textos.

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  11. Oh Minha Querida Olga, gosto tanto de ler os teus textos
    Este, tão deliciosamente descritivo
    Com certeza uma casa muito especial

    Beijinhos
    Resto de Dia Feliz

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  12. Quantas vezes olho para as casas antigas com sinal de abandono e visualizo as vidas que se desenrolaram dentro daquelas paredes! Um texto muito lindo Olga

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  13. É triste ver uma casa ficar velha.
    Dá-me tristeza.

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  14. "Que segredos conta a terra que as viu crescer?" Que segredos contarão tantas casas em ruínas outrora belas e tantos jardins agora transformados em matagais?
    Há sempre algo de belo no meio da ruína e da dor...
    Bom descanso, querida Olga.
    Beijinhos

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  15. Ohhh que bonito Cheia e tão verdade.
    Obrigada. Boa noite.
    Bjs

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  16. E são muitas as casas que se tornam ruínas e, como elas, ficam no esquecimento quem lá viveu.
    Grata pela visita amiga imsilva. Boa noite.
    Bjs

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  17. Sim, é verdade Di. Grata pela visita.
    Bjs

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  18. Também gosto de velharias e de casas antigas, desabitadas, esquecidas. Há muitas histórias e vidas para revelar.
    o desenhito fica para outra vez, a foto foi tirada para este texto. Eu é que agradeço por lê-los.
    Boa noite.
    Bjs

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  19. Olá Olga boa noite!!!! Está muito bem escrito, gostei muito. Beijinhos

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  20. Querida Luísa, fico lisonjeada com as tuas palavras, é tão bom saber que as minhas escritas são apreciadas. Obrigada
    Boa noite amiga.
    Bjs

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  21. Estou muito contente por saber que já somos muitos a sentir assim sobre casas antigas.
    Grata Maria.
    Bjs

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  22. É verdade Maria.
    Obrigada pela visita, fica bem.
    Bjs

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  23. É uma pena de facto o abandono e a ruína. Esta terá muito carinho com certeza.
    Grata minha querida amiga Isa. Uma noite serena e bom descanso para ti também.
    Bjs

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  24. Boa noite Célia!
    Obrigada pela tua visita, fico muito contente por leres e gostares.
    Fica bem.
    Bjs

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  25. Sinto que estive lá naquele lugar e gostei de lá ir!
    Obrigada pela viagem

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  26. Que bom Cristina, fico muito contente. Eu é que te agradeço por leres
    Votos de um bom dia para ti.
    Bjs

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  27. No fim o que é que ficou? O branco.

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