Escrita inspirada
«Nabica voltou a acocorar-se e repetiu as fases para expulsar a criança. Tentou novamente e quando já estava prestes a sucumbir ao cansaço, a criança deixou o seu útero, mas nem um vagido ou grande choro se escutou.
Dulce pegou na enfezada criança, alva como a cal. Os minúsculos braços pendiam tal como o seu corpo sem vida, quase cabia só numa mão de pequeno que era.
Nabica recuperou as forças apercebendo-se que algo não estava bem. Ausinda trazia-lhe a primeira criança, já limpa e à espera de ser alimentada. O choro era constante, a jovem afastou-a querendo ver o recém-nascido que não chorava.
− Lamento, querida... − proferiu Ausinda.
− Não o leves! − ordenou a Dulce que embrulhava a criança morta no lençol do parto.
− Dá-mo. − Nabica, soluçando, pegou com ternura naquele pequeno ser que saíra das suas entranhas, e que junto do seu coração e do seu espírito vivera até aquela noite.
Desembrulhou o lençol, pegou na criança nua, branca e luminosa e encostou-a ao peito. Orou com fervor à mãe deusa, levou a criança junto à janela expondo-a à luz da lua cheia e ao fresco das noites de março, depois mergulhou o nado-morto na selha da água fria por três vezes, perante os rostos horrorizados das duas mulheres, sempre recintando orações, seguidamente cantou à deusa a oração da vida. A criança soltou um suspiro, como os náufragos que anseiam pelo ar para os seus pulmões e berrou tão alto acordando as cabras que mesmo ali ao lado da casa tinham curral.»
Excerto do romance "O Abraço do Freixo" por Olga Cardoso Pinto
Gosto de contar estórias, de as desfiar como a um novelo e elas assim ganham vida, mesmo as passadas.
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ResponderEliminarDia Feliz, Querida Olga!
Querida Olga: mais um maravilhoso excerto que me deixou curiosa sobre a história. Pelo que li é um romance e está publicado? Adorava lê-lo. Beijo
ResponderEliminarLurdes
💓
Oh ... que história tão inspiradora Querida Olga
ResponderEliminarQue momento!!!
Beijinhos
Feliz Dia
Olá minha amiga!
ResponderEliminarObrigada pela tua carinhosa visita, também te desejo um dia muito feliz, fica bem.
Bjs
Bom dia querida Lurdes!
ResponderEliminarFico muito feliz por saber que gostaste da leitura. Não, não está publicado, quem sabe um dia...[:-)>]
Fica bem e tudo de bom para este dia.
Bjs
Olá querida amiga Luísa!
ResponderEliminarAgradeço-te o carinho e fico muito feliz por gostares do excerto.
Desejo-te um dia muito especial e com muita alegria.
Bjs
Que lindo
ResponderEliminarUm final feliz é sempre bem vindo
Bom fim de semana
Olá Green Eyes
ResponderEliminarSim sempre. Grata pela tua visita.
Tudo de bom,
Bjs
Muito bom Olga.
ResponderEliminarCom imprevisibilidade qb
Bom fim de semana
Bjs.
Que belo pedaço de escrita. Será que teremos direito ao resto do romance?
ResponderEliminarBeijinho
lindo, lindo, lindo obrigada pela partilha e parabéns pela força das tuas palavras
ResponderEliminarUau, onde andei este tempo todo?
ResponderEliminarQue escrita tão mas tão boa.
Beijinho
Levanta-se a pontinha deste lindo véu... Muito lindo este excerto feito de sabedoria ancestral. Beijinho, Mana 🌺
ResponderEliminarExcelente!
ResponderEliminarBom fim-de-semana!
Beijinhos
Muito obrigada amigo João-Afonso, fico muito feliz pelo seu comentário.
ResponderEliminarFique bem e excelente fim de semana.
Bjs
Querida amiga, fico tão feliz com as tuas palavras. Será que gostarás desta estória passada na Idade Média? Por detrás deste pequeno excerto há muita pesquisa e dedicação a um tema que me é muito querido. [:-)>]
ResponderEliminarFica bem e desejo-te um excelente fim de semana.
Bjs
Oh Ana, fico muito sensibilizada pelas tuas palavras. É tão bom quando o que escrevo é por vocês apreciado. Muito obrigada.
ResponderEliminarTudo de bom amiga.
Bjs
David Marinho,
ResponderEliminarMuito agradecida pela sua apreciação [<)], fica o convite para que volte mais vezes, espero não o desiludir.
Tudo de bom.
Bjs
Minha querida Mana,
ResponderEliminarLindas as tuas palavras, obrigada. Conheces algumas partes deste longo romance.
É sempre um privilégio receber-te por aqui.
Um beijo imenso
Obrigada caro amigo, igualmente.
ResponderEliminarBjs
Que bom, minha querida Olga, uma história muito inspiradora venham mais! Beijinhos, amiga, e uma boa semana!
ResponderEliminarBom dia Sandra,
ResponderEliminarAgradeço a tua simpatia e carinhosa visita.
Uma boa semana também para ti.
Bjs
tenho uma irmã que nasceu assim, com morte aparente, e também foi "ressuscitada" com banhos de água...
ResponderEliminarA minha mãe contava que, em jovem, um vidente lhe tinha dito que iria ter um filho morto à nascença...
São histórias poderosas.
Gostei do nascimento desta personagem, que será de certeza especial
Dia feliz, minha querida Olga
Olá minha querida Amiga,
ResponderEliminarGostei muito de saber estas particularidades que nos vão unindo, não deixa de ser curioso. Esta minha estória também joga com o misticismo e adivinhação, temas tão interessantes para escrever um enredo passado nestes tempos.
Grata pela tua visita, fica bem.
Bjs