Escrita ficcionada

Escrevo um romance, passado na Idade Média, há pelo menos dois anos. Ando a mortificar-me por ainda não o ter finalizado, pois merece muita dedicação e pesquisa para que nada falhe nas vidas fictícias inspiradas noutras que foram bem reais. Já partilhei aqui no blog um excerto sobre o nascimento de uma das personagens, hoje partilho mais um pouco, espero que apreciem a leitura.
Boa semana!
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"Nabica conhecia bem o Paço de paredes meias com o castelo dos Mendes, a primeira vez que ali entrara fora pela mão do seu pai, solicitado pela senhora para que ele lhe tirasse uma dor que sentia no baixo-ventre. Os seus olhos infantis bailavam ávidos por todo o lado, encantou-se com as cenas gravadas nas antigas tapeçarias, pois contavam estórias para si desconhecidas. Quando assomou ao aposento da senhora, ficou embevecida a olhar para o dossel que lhe cobria a cama, os tecidos limpos e alvos como nunca tinha visto, a pequena boquinha abria-se de espanto! Quando já estava cheia de tanto esplendor, depositou os sagazes olhos verdes numas pedras cintilantes, engastadas no colar que a senhora trazia ao peito, eram vermelhas como as cerejas que lhe diziam fazerem mal e que ela tanto gostava, e azuis como as bagas que colhia junto ao muro da sua moradia. Desde esse dia, acompanhou sempre o pai todas as vezes que ele era chamado à presença da Dona Godinha. Foi crescendo nestas visitas e conhecendo a maior parte do Paço - as cozinhas, os salões e chegou a espreitar a sala onde tinham muitos códices e livros! Como ela adorava sentar-se ali e poder folheá-los, ver as suas estórias, conhecer os seus segredos! Mas nunca a deixaram entrar, sempre que lá ia tentava abeirar-se do compartimento, ouvira o marido de Godinha, Don Rodrigo, referir-se a ele como biblioteca. Também aí, vira pela primeira vez, Martinho sentado num baú, contrariado e de castigo, fora obrigado a ler um fólio de cantigas trovadorescas do qual não percebia nada. O cabelo cortado reto sobre a testa e que longo lhe caía sobre os ombros, dispersava-se desordeiro com laivos de reflexos do sol que entrava pela janela. O rosto trigueiro estava enfiado no grande catrapázio que pesadamente se encontrava sobre as tenras coxas de criança. Nabica ficou a mirá-lo ainda algum tempo, mas assim que ouviu o mais leve ruído, fugiu rápida para as cozinhas. Uma vez foi apanhada a espreitar pela frincha da porta, tentava descortinar o interessante rapaz que cativara o seu pequenino coração. A criada, mulher avantajada, puxou-lhe a orelha e levou-a de volta para o pátio dizendo-lhe:
− O lugar das meretrizes é na rua! − ainda agarrando-a pela orelha atirou-a para o chão, Nabica sentiu-se desprezada e não compreendera o nome que a odiosa mulher lhe chamou. Uma lágrima teimou em fugir-lhe, mas rebelde levantou-se, sacudiu as saias e voltou a entrar indo ter com o pai aos aposentos da senhora."
Excerto do romance " O Abraço do Freixo" por Olga Cardoso Pinto
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Excelente partilha, Querida Olga!
ResponderEliminarBoa semana!
ResponderEliminarBoa semana
Oh, Querida Olga, adorei este pequeno/grande excerto, com certeza dará um romance maravilhoso
ResponderEliminarAprecio imenso romances passados em épocas anteriores
Espero que saia depressa para que o possamos ler
Beijinhos
Feliz Dia
Excelente!
ResponderEliminarBoa semana!
Beijinhos
Que bonito Olga😍 deve ser um romance maravilhoso!! Boa semana para ti.
ResponderEliminarBeijo, Lurdes💝
Obrigada minha querida amiga!
ResponderEliminarPara ti também votos de excelente semana.
Bjs
ResponderEliminarBoa semana para ti Green Eyes.
Minha amiga Luísa, fico muito feliz por saber que gostaste deste pequeno excerto, era bom poder partilhar o livro, veremos...
ResponderEliminarTudo de bom para ti ao longo desta semana.
Bjs
Grata amigo Cheia.
ResponderEliminarBoa semana para si, tudo de bom e com muita saúde.
Bjs
Amiga Lurdes, agradeço a tua simpatia e fico muito feliz por teres gostado.
ResponderEliminarTudo de bom.
Bjs
É o género de escrita que adoro ler que bom! Vai ser um sucesso! Obrigada por esta partilha que deixou-me de água na boca
ResponderEliminarÉ assim mesmo, minha Irmã. Alento, que a obra vai nascendo. Foi-te concedido este condão que é a perfeição. Este é mais um excerto lindíssimo, prova de que o teu trabalho árduo está a dar frutos. Um beijo
ResponderEliminarSó por este excerto nasceu dentro de mim uma ansiedade para ler o resto! Fico à espera para o romance estar disponível! De certeza que será excelente! Beijinhos
ResponderEliminarMuito interessante.
ResponderEliminarObrigada pela partilha.
Beijinhos
Amiga Sandra, muito agradecida pela tua visita e comentário, fico muito contente por teres gostado deste excerto.
ResponderEliminarVotos de excelente dia.
Bjs
Minha querida Mana,
ResponderEliminarComo fico feliz e grata pela tua visita, sempre tão carinhosa e incentivadora
Um beijinho imenso, fica bem.
Muito obrigada pelo testemunho e apoio, será uma enorme alegria poder partilhar o livro editado contigo e com as amigas e amigos que tanto me incentivam.
ResponderEliminarFeliz dia Apenas Fluir.
Bjs
Obrigada Di pela tua visita e carinho.
ResponderEliminarTudo de bom.
Bjs
Bom dia querida Olga, só hoje tive a oportunidade de ler esta tua segunda partilha, que deixa antever uma dolorosa história de amor impossível.
ResponderEliminarGostei. Desejo-te muita inspiração para o teu romance "O Abraço do Freixo".
Feliz fim de semana minha Amiga.
Abraço forte!
Querida amiga Isa,
ResponderEliminarAgradeço com muita amizade e carinho todo o teu apoio.
Votos de excelente semana.
Bjs