Escrita ficcionada

"O dia raiava soalheiro. O nascer do sol acordava o jardim e os primeiros pássaros a despertarem chilreavam o seu regresso, ainda eram poucos, mas a passarada estava de volta. O laranja do astro rei espraiava-se no azul do céu de outubro. A janela da cozinha de Eva refletia os primeiros raios de sol deste novo dia, mas por detrás dela não se vislumbrava o vulto da mulher, que adorava ouvir às primeiras horas da manhã o chilrear dos pássaros, enquanto tomava a sua chávena de café. A casa estava silenciosa, ouvia-se somente um discreto rumor vindo do quarto de casal. Jo estava sentado na beira da cama com o casaco de malha de Eva nas mãos, levou-o ao rosto banhado pelas lágrimas, tentou encontrar o odor do seu perfume, da sua pele ... encontrou alguns cabelos e ficou a olhá-los e lembrou os momentos próximos em que a esposa já sem o seu lindo cabelo, cobria a cabeça com o lenço de seda que ele lhe oferecera. Depois, veio-lhe à memória os tempos em que deixaram a cidade e se refugiaram naquele lugar, naquela vila ditosa que os acolhera e os acarinhara. Agora tentava encontrar forças para viver! Viver sem a sua querida amada. Viver pelos seus filhos, tinha uma menina de três anos, o último tesouro que Eva lhe deixara já com cinquenta anos. Tinha de ter forças para suportar aquele dia, para ouvir as condolências e os pesares! Mas, teria de ter ainda mais forças para olhar os filhos nos olhos e dizer-lhes que teriam de seguir em frente, que era assim que a mãe quereria. Jo atirou-se para a cama e chorou, chorou compulsivamente até não ter mais lágrimas para verter."
Excerto do romance "Mãe d'Água" de 2019, por Olga Cardoso Pinto
![]()

Lindo, envolvente e muito triste, Querida Olga
ResponderEliminarCom certeza um romance maravilhoso
Beijinhos
Feliz Dia
A vida tem tanto de beleza, como de drama e de dureza.
ResponderEliminarBoa tarde e beijinhos, Olga!
Excerto que muito gostei de ler.
ResponderEliminar.
Saudações poéticas.
.
Boa tarde Olga
ResponderEliminarA vida tem fases muito difíceis, revejo este excerto, ha 8 anos na minha família.
Bjs
Muito bonito Olga.
ResponderEliminarTão triste quanto belo... Dou comigo muitas vezes a pensar nesse paradoxo.
ResponderEliminarGostei muito do trecho do teu romance. Parabéns amiga!
Sentimos que por vezes a vida é ingrata, sabemos que a morte faz parte da vida, mas nunca estamos preparados para a aceitar. Muito bonito este pedacinho do teu romance!
ResponderEliminarAgradeço-te as palavras, minha querida amiga.
ResponderEliminarVotos de uma excelente semana para ti.
Tudo de bom.
Bjs
É bem verdade, amigo José.
ResponderEliminarAgradeço a visita, sempre bem-vinda.
Desejo-lhe uma boa semana.
Bjs
Muito obrigada, amigo Ricardo. Gostei de o ver por aqui.
ResponderEliminarExcelente semana, com muita poesia e escrita.
Bjs
Olá Maria.
ResponderEliminarCreio que não haja família que não tenha, infelizmente, destas tristezas; vidas perdidas para esta maldita doença.
Votos de uma boa semana para si, querida amiga.
Bjs
Grata, querida Di
ResponderEliminarUm dia muito feliz para ti.
Bjs
Infelizmente assim o é, querida Isa.
ResponderEliminarMuito grata, minha querida amiga pelas tuas palavras e sempre bem-vinda visita.
Votos de uma excelente semana para ti.
Bjs
Tens toda a razão, Maria.
ResponderEliminarAgradeço o carinho na tua visita e as tuas palavras.
Boa semana, tudo de bom para ti.
Bjs
Feliz semana
ResponderEliminarA vida tal como ela é!
ResponderEliminarCom a tristeza da morte e a esperança depositada nos filhos.
Muito bem escrito!
É verdade.
ResponderEliminarObrigada José, pela tua carinhosa visita.
Fica bem.
Bjs
(Já tinha lido e não sei porque não tinha comentado)
ResponderEliminarHá pouco, no outro comentário disse que a vida é tão simples, e inacreditavelmente isto também faz parte da vida, mas de simples não têm nada.
É a faceta triste que nos arranca o coração do peito.
ResponderEliminarTudo de bom, querida amiga.
Bjs