Celebrações

"O final da tarde chegava de mansinho, mas o sol ainda alto tornaria o dia no mais longo do ano. Lá longe, perto do rio, preparavam-se as fogueiras que seriam purificadoras para quem as saltasse e afoitavam-se as gentes no cozinhar da ceia para festejar o solstício de verão - não podiam faltar o peixe - esse ser do rio - o pão força para o corpo e o vinho dádiva da natureza e transformada pelos homens.
Nabica carregava Brígida ao colo, a seu lado caminhava Dulce que levava na bolsa do cinto a foicinha de prata e no braço o cesto do ritual de colher as ervas medicinais – o manjerico e o visco, tinham-nas colhido ao nascer do dia. Ausinda, mais afastada por não conseguir acompanhar o andar das jovens mulheres, levava no seu cesto papoilas e camomila para queimar como oferta ao sol e a Endovélico, todas elas levavam ao pescoço um lenço amarelo tingido com cascas de cebola. Alegremente cantavam e juntar-se-iam às celebrações sob as copas dos carvalhos com o rio serpenteando por perto. A idosa apreciava à distância as duas jovens, queria-lhes como filhas, e naquele dia sentia-se feliz por ver Nabica, finalmente, a recuperar a sua vivacidade, o seu gosto pela vida e pela filha adorada!
Iam as três animadas, embora Ausinda revelasse algum cansaço, pois fora um dia muito preenchido, como sacerdotisas celtas tinham iniciado as suas atividades dedicadas ao seu culto desde o nascer do dia. Cultuaram as divindades com oferendas e cânticos, em especial a Endovélico pedindo-lhe proteção e saúde, a Lug divindade solar que dá força à terra para gerar as culturas, a Atégina solicitando a sua bondade para com os solos férteis, a Nábia deusa das águas correntes para que estas não faltassem para a terra e a Sucellos para que protegesse a agricultura e as suas amadas florestas. De forma recatada fizeram as suas celebrações, sem sacrifício de animais, há muito que o tinham abandonado com receio de serem acusadas de heresia pela igreja e pelos vizinhos cristãos."
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Excerto do romance O Abraço do Freixo.
Foto: caminho da Fonte de Águas Santas, Maia.
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Para ouvir enquanto lê: The Cranberries "Why"
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Excelente partilha, Querida Olga!
ResponderEliminarDia Feliz!
Olá Olga, gostei tanto deste excerto😍
ResponderEliminarEste romance deve ser maravilhoso, a avaliar pelos bocadinhos que aqui nos deixas. Bom S.João
Beijos Lurdes😘
Tão bonito, Querida Olga
ResponderEliminarBeijinhos
Feliz Dia
Como eu adoro vir aqui ler estas partilhas muito obrigada, querida Olga!
ResponderEliminarBeijinhos, bom fim de semana para ti 🌼
Excelente partilha!
ResponderEliminarBom fim-de-semana, Olga!
Pelo excerto, muito bonito de ler, acredito que o romance seja fascinante.
ResponderEliminar.
Cumprimentos cordiais.
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Muito bonito.
ResponderEliminarMuito obrigado pela partilha.
ResponderEliminarO texto é fabuloso e a música muito bem escolhida.
Excelente fim de semana.
Olá MJP,
ResponderEliminarObrigada, fico muito feliz por teres gostado mais uma vez do excerto deste romance.
Tudo de bom, amiga, que esta semana te traga muita alegria.
Bjs
Querida Lurdes, agradeço de coração as tuas palavras.
ResponderEliminarTudo de bom.
Bjs
Olá Luísa,
ResponderEliminarObrigada, é sempre bom ouvir as tuas opiniões sobre os meus escritos.
Fica bem e excelente semana.
Bjs
Querida Sandra,
ResponderEliminarGrata pelo teu carinho, fico muito feliz por saber que gostas de vir aqui visitar-me.
Tudo de bom e ótima semana.
Bjs
Amigo José, agradeço com amizade a visita.
ResponderEliminarTudo de bom.
Bjs
Obrigada Ricardo. Espero bem que sim.
ResponderEliminarBjs
Agradeço as palavras. É sempre bom recebê-lo por aqui.
ResponderEliminarBjs
Não é o meu tema preferido, mas por isso mesmo gostei muito.
ResponderEliminarObrigada José, é um privilégio ter-te como leitor.
ResponderEliminarTudo de bom.
Boa noite.
Bjs