Mistérios...

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O casal acercou-se da árvore. Encostaram o peito, o rosto e as mãos nuas ao áspero tronco, sentiram, então, um estremecer leve que foi ganhando cada vez mais força num rufar ritmado. O corpo quente da árvore vibrava em sintonia com o bater dos seus corações. António e Celeste entreolharam-se e deram as mãos continuando a envolver a aveleira. A passarada agitada esvoaçava e chilreava amiúde, fazendo as copas lá em cima restolharem como se fossem rajadas de vento.
Um som seco fez-se sentir de dentro da aveleira, como um rasgar de fibras lenhosas. Celeste tremia, o rosto roborizado transpirava e António sentiu a sua mão humedecida pelo suor da esposa. Não entendia o que se passava, ou antes era-lhe difícil compreender, mas o seu coração sabia o que estava a acontecer!
Quando o tronco se abriu numa fresta e odores frescos de madeira nova se escapuliram para perfumar a brisa, Celeste emitiu um som gutural. Um vagido de criança eclodiu e encheu de som o silêncio florestal. A idosa introduziu as mãos na pequena fenda, que se abrira, e retirou um recém-nascido envolto em heras e musgo viçoso. António, estupefacto, olhava a criança que era ajeitada no colo da idosa e que continuava choramigando pelo recente nascimento, pela intensidade da luz que lhe cobria o rosto e o corpinho nu, alvo em cor e inocência.
Celeste cobriu a criança com o xaile e beijou-a na boquinha rosada, proferindo uma oração, um encantamento que o marido desconhecia, ele mecanicamente tocou-lhe na pequena cabeça e abençoou a sua vinda a este mundo, depois ambos beijaram a menina que calidamente adormecera no colo da idosa mulher.
Excerto do conto "Avelina", por Olga Cardoso Pinto
Pode ler mais deste conto aqui
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Muito bonito!
ResponderEliminarBom dia, Olga !
Beijinhos
Tão lindo, um conto mágico de humanidade e natureza!
ResponderEliminarObrigada pela partilha amiga Olga!
Um dia lindo como Sol ☀️!
Beijinhos 🐦
Beleza e fantasia...os ingredientes do sonho..:))) bjs Olga e dia tranquilo
ResponderEliminarBoa tarde José!
ResponderEliminarObrigada, este conto é misterioso, estranho até, mas muito significativo.
Dia feliz.
Bjs
Querida Cotovia,
ResponderEliminarFico muito feliz por gostares deste excerto. Tal como referi no comentário do José, é uma estória misteriosa e até estranha, mas de um simbolismo muito especial. Talvez o publique na íntegra, aqui no blog.
Dia feliz amiga.
Bjs
Obrigada Folhas, é isso mesmo, e acrescento o simbolismo de toda a estória.
ResponderEliminarObrigada pelo comentário.
Tudo de bom.
Bjs
Haverá por aí um livrinho que junte estes belos contos que tens por aí a pedirem luz?!
ResponderEliminarBeijinho grande
Talvez, amiga, talvez...
ResponderEliminarUm abraço apertadinho