Sabedoria

janela da casa de jose regio.jpg


Sabedoria



Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.


Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.


Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar...
E venha a morte quando Deus quiser.


Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.


 


José Régio, in “Poemas de Deus e do Diabo”



Foto: a bela vista para o jardim pela janela da Casa de José Régio em Vila do Conde


 


 

Comentários

  1. Poema outonal na forma de olhar a vida.
    Gostei muito da vista da sua janela.

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  2. Grande poeta!
    Há cá em casa quem tenha sido aluno dele... em Portalegre!

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  3. Excelente partilha!
    Boa semana, Olga
    Beijinhos

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  4. Obrigada Cristina, gostei muito do seu comentário.
    Boa semana.
    Bjs

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  5. Grande poeta mesmo, José.
    Que privilégio ter tido como mestre José Régio!
    Grata pela visita.
    Bjs

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  6. Obrigada José.
    Boa semana para si também.
    Bjs

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  7. Se são, querida amiga!
    Boa semana.
    Bjs

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  8. Um poema muito profundo, mas com uma vista maravilhosa!

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  9. Gosto muito de poesia, obrigada pela partilha

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  10. Poema intenso e profundo que me deliciou ler
    .
    Uma semana feliz
    .

    .

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  11. Uma fotografia muito bela acompanhada de um poema muito bonito 😍
    Beijo da Lurdes

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